VIAJEM A CAMPO GRANDE, MS
Minha
primeira viagem longa em moto:

Há sete anos freqüento os
encontros de moto. Há sete anos, tenho amigos incríveis de
estrada!
Sempre briguei para estar ao
lado deles e fazendo o que gosto. Pensei que nunca ia conseguir
comprar minha moto e poder rodar estrada.
Meu sonho se realizou graças
a muito trabalho e com a ajuda de meus pais, que, mesmo sendo
contra porque moto é perigoso, jamais podaram meu sonho.
Hoje, tenho minha Virago
250, chamada Mel (porque no dia em que fui busca-la, um enxame
de abelhas atacou o Índio-que estava trazendo-a para mim). A
estrada faz parte da minha vida desde quando eu queria ser
caminhoneiro como meu pai...sonhos que se perderam no tempo, mas
que indiretamente foram realizados quando eu pilotei diversas
vezes a carreta de um amigo.
Hoje, e como sempre fazia
esse trajeto de carro, vou ao trabalho de moto faça chuva ou
sol. Orgulho-me de estar na estrada...Poder ver a reação das
pessoas quando percebem que é uma mulher quem esta no comando.
Mas o que esta em jogo hoje
é a historia da minha primeira viagem longa.
Briguei com meus pais na
véspera da viagem, porque eles achavam que era loucura, muito
longe, estrada perigosa, etc. aleguei que se eu corria riscos
todos os dias indo ao trabalho, porque deixar de me divertir?
Deixei um bilhete em cima da mesa da cozinha, levantei-me as
três da manhã (havia ido dormir as duas), quando o relógio
acusou quatro horas eu já estava na estrada.
Rodei duas horas e parei em
Prudente, onde havia combinado com outros amigos. Saímos às sete
horas. Quando era uma hora da tarde estávamos defrontes ao hotel
em Campo Grande. Fizemos seis paradas, só mesmo para abastecer e
comer alguma coisa. Rodei a 120, 130 km por hora porque não
poderia ficar muito para trás, já que as motos dos caras eram
bem mais potentes.
Sei que eles têm uma
paciência grande comigo, e em nenhum momento me deixaram para
trás, mas, eu me sentia no dever de não tocar a menos que 100
porque queria chegar logo lá.
Campo Grande para mim, era
um sonho de consumo. Todo mundo já havia comentado...O melhor
encontro da América Latina!
Mesmo aderindo ano passado
ao boicote via Internet por causa do valor cobrado, mesmo
recebendo o e-mail do Cigano de Campo Grande afirmando que a
organização havia dito que para eles o interessante era as
atrações estrangeiras e não o motociclista resolveu conferir de
perto.
Foram 750km de ida e 750 km
de volta de pura adrenalina.
Cerca de 150 km para chegar
ao destino, uma camionete furou o pneu na minha frente, não deu
seta pra sair no acostamento, o Corsa que vinha atrás dele ficou
perdido, e eu muito perto do Corsa. Os caras vinham atrás numa
distancia considerável no momento em que vi que não haveria
saída, a não ser reduzir e tirar... Mas na outra pista vinha uma
carreta...
Freei tudo o que deu, ouvia
as cantadas do pneu e a moto jogando de um lado pro outro,
equilibrei, gelei e passei colada ao Corsa, que nem tinha
percebido que era mulher. Somente percebeu quando passei ao seu
lado e disse presta atenção com a cara mais feia e pálida do
mundo. Nesse momento os caras me alcançaram e não desgrudaram
mais. Era meu primeiro susto em cima da Mel.
Mas eu percebi que Deus esta
sempre ao meu lado, pois nesse momento eu pensei em nele e em
mais nada.
No hotel, haviam dado as
nossas reservas de um mês de antecedência para outras pessoas.
Tudo bem até ai, porque eu estava sozinha num quarto de
solteiro. Mas, minutos depois fiquei sabendo que meu namorado
havia conseguido terminar o trampo antes e estava a caminho! Não
havia mais hotel na cidade e teríamos que dormir na cama de
solteiro!
Fiquei imaginando nós dois
com todo esse tamanhão numa cama de solteiro! Tudo bem, tudo é
festa e já estávamos ali mesmo! À noite, foi providenciado mais
um colchão de solteiro que colocamos no chão! E, da-lhe chuva à
noite! Ao menos refrescou a cidade, já que nosso quarto com ar,
havia sido substituído por um com ventilador!
Deveríamos ter ficado
acampados no recinto como de habito, mas quisemos reunir a turma
num mesmo lugar, então...Dança-se conforme a musica!
Na entrada do recinto, muito
bem organizado por sinal, percebi que valia a pena pagar 25
reais pelo tipo de organização da coisa, tudo informatizado,
classe A a coisa. Fiquei despreocupada com relação à moto! Sorri
quando a menina da portaria disse que teríamos um churrasco 24
horas, cortesia da casa! Pagando 25 reais, nada é cortesia.
Ouvi também a reclamação do
pessoal no tocante a chegada: se você chega no terceiro dia do
evento não tem porque pagar por 5 dias! Isso deveria ser
revisado!
A segurança foi excelente,
mas na hora de comer, quando procuramos algo, não havia quase
nada. O primeiro restaurante só servia refeição depois das 20
horas.
Quando fui comer um crepe
que não era crepe e sim uma panqueca, na metade, encontrei uma
mosca assada! E havia pedido dois crepes. Não perdi a fome,
porque estava com muita fome!!!
Depois veio a decepção da
marca da cerveja, que pensamos que seria Skol, mas tomamos
Miller a R$2,50. acho que até no menor evento que eu já fui a
cerveja era melhor, a praça alimentação também!
Muito pouca barraca de
acessórios também, sorte nossa que o Túlio da Warriors tava lá e
com precinho camarada!
Engraçado mesmo foi na hora
de cadastrar o MC que não podia cadastrar dois clubes que tinham
o mesmo nome, mas que não era o mesmo, caso do Coroa e Pinhão
que um é só Coroa e Pinhão e o outro é Coroa e Pinhão Águia
Dourada!
Tanta briga pra explicar que
um não é o outro, pra no final os caras darem um chapéu de
pescador numa sacolinha tipo do Boticário com revistas de
informação de Bonito, cortesia do Governo.
Ainda sai ganhando porque
levei dois: um por ser a única mulher com maior distancia e
outro do MC. Tudo bem que não vamos ao encontro pra caçar
troféu, mas se estamos lá, não custa nada o cara dar uma
lembrança da festa.
Troféu mesmo fomos pegar na
festa do Cigano, que estava muito boa por sinal, com apoio da
AMO do MS, apoio dos Abutre’s do MS. G
ente simples, camarada,
cerveja a um real, rock and roll e muito agito. Chegamos na
festa dele no sábado e na mesma hora pegamos o nosso troféu e
ninguém questionou quantos motoclubes eram, quantos integrantes
estavam presentes, etc.
O show do Stepenwolf foi
legal, mas parece que a galera mais interessada, no caso, os
estradeiros, nem deram muita atenção...para que a organização
perceba que não estamos lá pelo show, e acredito que o pessoal
da cidade que assistia nunca tinha ouvido falar nos caras,
estavam lá só pelo fato de serem gringos.
Pó tinha até neguinho do
Paraguai no evento e ninguém leva em consideração que você rodou
uma cara pra chegar...ninguém da organização veio pessoalmente
agradecer a presença dos motoclubes cara a cara.
Todos os encontros que
freqüentamos, alguém vem e diz: oi irmão, que bom que você veio,
precisando de alguma coisa é só chamar, a festa é de vocês,
sintam-se em casa, essas gentilezas que fortalecem ainda mais o
espírito estradeiro.
Fomos lembrados somente na
hora da recepção que ia ter para o governador, que nem veio,
mandou em seu lugar, um deputado.
Aí fomos lembrados porque
precisavam de gente de profissão importante, tipo empresário,
medico, engenheiro, para que o político percebesse que
motociclista não é bandido. Para essas coisas nós servimos, mas
na hora da festa o importante é o gringo .
Agora acredito que esse
encontro não é o maior, nunca perdi um encontro em Ourinhos, e
mesmo tirando todas as motos abaixo de 250 cilindradas que
entram na festa, ainda supera o numero de motos que estavam em
Campo Grande.
A reportagem local sim,
palmas para eles, muito camaradas, eles deram um brilhantismo na
festa. Souberam exatamente serem cordiais com os estradeiros.
Muitas vezes fui abordada pela reportagem da TV e do jornal como
uma estrela. Ninguém foi lá para ser estrela, mas esse afeto que
demonstraram foi muito importante para que sejamos reconhecidos
pela população como pessoas que gostam do que faz, que dão a
vida pela estrada e que nessas horas até o mais burguês vira
gente simples.
É decepcionante estar
tecendo esses tipos de comentários, mas só os estou fazendo
porque gostaria imensamente de voltar no próximo ano e ver que
mudou. Acho que os motoclubes do MS, que são muitos, deveriam se
unir e mostrar a sua força, fazendo um encontro de irmão pra
irmão, como acontece aqui no estado de São Paulo e em outros
lugares.
Onde estão as campanhas de
doação?
Porque não revertem as
rendas para instituições como fazem nos outros eventos onde se
cobra a entrada?
Tenho certeza de que todos
teriam satisfação em ajudar.
Voltando a falar de estrada!
Ah, um fato legal ocorreu na
sexta, saímos para comer na Afonso Pena e paramos em um barzinho
onde já estavam alguns motoclubes. Quando passavam das oito da
manhã, percebemos que estávamos em um bar gay. Sem preconceito,
amo meus amigos gays porque eles me respeitam. Sabe, a melhor
parte talvez da festa, fomos muito bem tratados.
Na volta pro hotel, passamos
por uma lombada eletrônica numa subida, onde a velocidade máxima
permitida era de 30km por hora. Engraçado numa capital onde pela
madrugada o farol fica no amarelo, a avenida é de 50km por hora
e todo mundo passa a 120 sem parar numa esquina sequer. Coisas
da vida!
Agora entendo perfeitamente
porque os homens amam as mulheres!
Somos capazes de sentir
coisas que eles jamais sentirão.
Quando voltava, já um tanto
cansada, vinha na preguiça, admirando a paisagem enquanto eles
estavam preocupados em chegar logo já que na segunda a rotina
começava. Eu não estava muito preocupada com isso apesar de ter
que me levantar as seis da manhã e enfrentar o horário de pico
das carretas de cana na Raposo Tavares.
Queria curtir o cheiro de
mato, horas e horas atrás das carretas, dos pobres coitados que
nem tem pista boa para rodar, mas que levam o progresso adiante.
E os carreteiros abriam caminho para mim! Sempre quando os caras
passavam e eu ficava para trás, quando colocava a cara atrás da
carreta e percebiam que era mulher, abriam caminho, buzinavam,
davam um jeito de dar passagem.
Numa parada no posto, parou
uma carreta que havia me dado passagem. Ele estava com um
contêiner. Fui ate a porta da carreta e agradeci pela passagem
que me deu duas vezes. O cara ficou todo empolgado porque eu
havia agradecido!
Mas o que quero contar é
demais! Acho que muita mulher que ler este texto vai ficar com
inveja do que eu senti e muito homem vai ficar intrigado!
Falo de tesão. Uma coisa que
todo mundo pensa sentir, mas duvido que alguém tenha sido
privilegiada como eu!
Quando havia rodado mais ou
menos uns 300km, meu banco já estava esquentando. Sentei-me mais
na garupa e estiquei as pernas para relaxar um pouco. Quando
fechei a perna e estiquei, percebi o contato do meu jeans um
pouco mais apertado ao banco. As vibrações da estrada foram me
dando um frisson e eu me senti excitada.
Mais a frente uma brisa
selvagem invadiu meu nariz quando passava em um trecho de mata
mais fechada. Aquele cheiro de mato, aquela brisa suave e gelada
arrepiava meus seios.
Um bezerro morto no canto da
pista. Que judiação me sinto mãe, e bate uma vontade louca de
voltar logo para casa onde ficou meu nenê de cinco anos que
adoraria estar na minha garupa e que não pode viajar pela idade!
Senti um aperto no peito, porque imaginei como estaria sentindo
a mãe do bezerro nesta hora, afinal, o animal também tem
sentimento.
E pensei em não correr muito
porque eu também já havia passado um mau bocado na ida quando o
carro me fechou, então devagar e sempre é que se chega. As
lagrimas correram dos meus olhos porque meus pais não aceitam
minha condição de estradeira e não sabem o grande amor que tenho
pela estrada!
Sinto que magôo as pessoas
que me rodeiam por essa opção de vida, mas que sou realizada por
ser assim!
Vi que sou forte, mesmo
ganhando pouco, sendo mãe e pai ao mesmo tempo na minha condição
de mãe solteira, enfrentando todos os obstáculos que a vida me
impõe, sou uma mulher batalhadora!
Orgulhei-me de saber que
conheço meu corpo de verdade, que não preciso estar com tudo em
cima para sentir prazer. Só o fato de estar sobre a moto de meus
sonhos já estava sendo recompensada. Mas quando você conhece seu
corpo, pode perceber todo o tipo de sensação a qualquer
instante.
Meu, que tesão foi ter um
orgasmo na pista! Não sei como explicar ao certo como aconteceu.
Sei que fui um pouco influenciada por quem pilotava na minha
frente. Meu namorado estava na minha frente e todo hora ligado
no retrovisor para ver se eu vinha logo atrás.
Amo mesmo esse cara com
todas as minhas forças, mesmo que o mundo coloque barreiras em
nosso caminho, vejo que demorei em encontrar a pessoa certa e
que posso morrer feliz depois dessa viagem!
Cada olhar dele dentro dos
meus olhos, cada sinal que ele fazia com a mão, às vezes um
beijo ou um coração no ar, aquilo foi me excitando cada vez
mais.
A mescla de cheiro de graxa
das carretas, o cheiro da pastagem, o calor que subia do chão
mais o calor do meu motor, o suor que escorria da testa no
horário de pico do sol, tudo aquilo me fascinava.
Em uma subida, quando todos
os caras já haviam passado, acelerei com gosto, deitei-me no
banco da Mel, coloquei os pés no pedal traseiro e no momento da
ultrapassagem, tive um orgasmo muito doido. Jamais imaginei que
sentiria esse prazer.
O homem deve mesmo invejar a
mulher estradeira...Agora eu adivinho o porque nos
invejam...Jamais terão o privilegio de sentir o orgasmo que
senti. Nenhuma mulher também terá o prazer de sentir o que
senti. Se toda mulher que já sentiu um orgasmo de verdade pensar
que o sentiu, não sabe nada! Eu já pensei que havia sentido
muitos orgasmos na vida, desde a penetração do ser amado, desde
o momento que o seu filho suga o seu leite, desde a hora que
você dá a luz àquele que será sua continuidade, nada se compara
ao orgasmo que senti em cima da minha moto!
É
inexplicável...Indecifrável...E acredito eu que seja o
único...ou quem sabe o primeiro de vários eu estão por vir...
Acho que se toda mulher que
possa sentir o que eu senti esteja sendo mal amada pelo marido,
vai comprar uma moto e jamais se separará dela.
Eu, que sou bem amada, amo a
pessoa que escolhi para viver pelo resto da minha vida, já estou
decidida que agora mais do que nunca posso morrer em cima da
minha moto fazendo o que gosto que seja pilotar, posso dizer que
eu sou feliz por inteira!
Que agora mais do que nunca
não importa o corpo que se tem, que não precisa ser seduzida por
um homem, que não precisa ser penetrada para sentir prazer.
Basta estar numa estrada fazendo o que se ama! Basta ver os seus
amigos homens, felizes e realizados, sentindo-se verdadeiros
Hercules, basta ver o sol nascer, se por, a noite chegar, tudo
isso em cima da sua moto.
E tem gente que jamais
entenderá o grande amor que sentimos por essas maquinas.
Eu já sentia um tesão enorme
quando ia à garupa do meu namorado...Ele andava inconformado que
depois que comprei a Mel não queria mais andar na garupa, agora
quando ele ler este texto vai saber meus motivos!
Tudo isso vem provar que
para ser feliz precisamos de muito pouco. Que dinheiro não é
nada, que basta apenas uma estrada, uma moto e a vontade de
viver. Sinto-me livre como nunca havia estado em toda a vida!
Deve haver uma magia
envolvendo tudo isso porque pego estrada todo dia e ate agora
não me ocorreu fato parecido. Mas sei que terei oportunidade de
sentir essa emoção novamente a qualquer momento.
Homens fiquem mesmo com
ciúme, porque se todas as mulheres sentirem o que eu senti,
talvez nem precisemos mais de vocês!
Portanto, não compre uma
moto para sua mulher, estará sendo ameaçado!
jajajaajjaja
Uma hora terei prazer em
relatar aos amigos como foi tudo isso.
Procurei explicar da melhor
forma possível, mas acredito que serão olhando nos meus olhos e
quem me conhece perceberá que minha aparência esta mudada!
É por isso que sempre digo:
La carretera
es mi vida!
LIZIE
SIRENAS DE LA
RUTA MC
OS HOMENS PENSAM QUE CONHECEM
TUDO DAS MAQUINAS QUE POSSUEM...PODEMOS NÃO ENTENDER DE ENGRAXAR
CORRENTE, TROCAR PNEU FURANDO, ÓLEO, ESSAS COISAS, MAS JAMAIS
PODERÃO EXPLORAR CERTOS TIPOS DE SENSAÇÕES QUE UMA MULHER PODE
SENTIR EM CIMA DE SUA MAQUINA!
La Ruta es
nuestra passión, donde buscamos nuestros verdaderos
amigos......LIRA
LISIANE AZEVEDO SCIARINI
lasciarini@ig.com.br
http://sirenasdelaruta.blig.ig.com.br
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